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O despertar e o bem-estar das crianças estão sujeitos a rápidas evoluções regulamentares em…

Jeune femme et tout-petit jouant avec des anneaux en bois colorés sur un tapis de jeu dans un salon chaleureux
5 min de leitura

A conscientização e o bem-estar das crianças estão sujeitos a rápidas evoluções regulatórias na França. O quadro que envolve a primeira infância se tornou mais rigoroso em relação às telas, enquanto novos guias públicos tentam fornecer aos pais referências confiáveis desde o nascimento. Essas mudanças também alteram o cotidiano dos profissionais em creches e das assistentes maternas.

Telas e crianças pequenas: o que muda com o decreto de 27 de junho de 2025

Desde um decreto publicado no Jornal Oficial em 2 de julho de 2025, a carta nacional para a acolhida da criança pequena proíbe formalmente toda exposição a telas para menores de 3 anos nos modos de acolhimento coletivos e individuais. Creches, micro-creches, assistentes maternas: a televisão ao fundo agora é proibida, mesmo ligada sem intenção educativa.

Essa proibição não é um simples lembrete de boas práticas. Ela se insere em um texto regulatório aplicável às instituições de acolhimento, o que significa que as inspeções da PMI (Proteção Materna e Infantil) podem se basear nesse quadro para avaliar a conformidade de uma estrutura.

Paralelamente, desde janeiro de 2025, a recomendação “sem tela antes dos 3 anos, mesmo em ruído de fundo” consta no cartão de saúde entregue a cada nascimento na França. Entre os artigos recentes da Douceur Enfance, encontramos várias explicações sobre como essas novas regras se traduzem no cotidiano das famílias.

As opiniões no campo divergem sobre esse ponto: alguns profissionais da primeira infância acreditam que a proibição carece de precisão sobre as ferramentas digitais utilizadas para fins pedagógicos (projeção pontual de imagens, suporte musical), enquanto outros veem isso como uma clarificação esperada há muito tempo.

Pai e filha jardinam juntos em uma horta externa, a criança planta uma semente na terra

Guia “As chaves da infância 0-3 anos”: um referencial público para os pais

O guia “As chaves da infância 0-3 anos”, publicado em outubro de 2025 pelo ministério responsável pela primeira infância, se dirige diretamente aos pais. Ele reúne referências sobre o desenvolvimento do bebê, os modos de cuidado disponíveis e os trâmites administrativos relacionados ao nascimento.

Este documento se insere na dinâmica dos “1 000 primeiros dias”, um programa que foca no período que vai da concepção até os três anos da criança. O guia não substitui o acompanhamento médico, mas centraliza informações que antes estavam dispersas entre vários sites institucionais.

Um ponto merece atenção: o guia enfatiza a importância de um ambiente protetor e de uma escuta atenta, sem, no entanto, propor uma grade de autoavaliação para os pais. Os dados disponíveis não permitem medir o impacto concreto desse tipo de documento nas práticas familiares, mas sua difusão sistemática através das maternidades garante uma ampla cobertura.

Desenvolvimento psicomotor em creche: entre a formação dos profissionais e a realidade dos efetivos

O acompanhamento do desenvolvimento psicomotor da criança pequena depende amplamente da formação dos profissionais da primeira infância. As instituições de acolhimento são obrigadas a oferecer atividades adaptadas a cada faixa etária, mas a qualidade desse acompanhamento depende de vários fatores concretos:

  • A taxa de acompanhamento real na estrutura, que condiciona o tempo disponível para a observação individual de cada criança
  • A formação contínua dos auxiliares de puericultura e dos educadores de crianças pequenas, especialmente sobre abordagens sensoriais e motoras
  • A organização do espaço: pisos adequados à motricidade livre, mobiliário na altura da criança, áreas calmas distintas dos espaços de jogo ativo

A motricidade livre, inspirada nos trabalhos de Emmi Pikler, continua sendo um pilar do desenvolvimento em creches. O princípio é simples: deixar a criança explorar suas capacidades motoras no seu próprio ritmo, sem colocá-la em uma posição que ainda não domina (sentada apoiada, em pé segurando pelos braços).

No entanto, a aplicação prática varia de acordo com as estruturas. As micro-creches, com grupos menores, frequentemente oferecem um ambiente mais propício para a observação detalhada. As creches coletivas de grande capacidade devem lidar com efetivos maiores, o que torna a individualização do acompanhamento mais complexa.

Educadora observando uma criança praticar despejar água em um copo em uma sala de aula Montessori

Bem-estar da criança em casa: o que a regulamentação não cobre

Se o quadro regulatório está cada vez mais detalhado em relação ao acolhimento em estrutura coletiva, o domicílio permanece um espaço onde as referências são menos restritivas. Os pais recebem recomendações (cartão de saúde, guias públicos), mas nenhuma obrigação comparável àquelas impostas às creches se aplica ao lar familiar.

A questão das telas ilustra bem essa assimetria. A proibição para menores de 3 anos se aplica aos modos de acolhimento profissionais, não ao domicílio. Uma criança pode passar o dia na creche sem nenhuma exposição a telas, e depois encontrar a televisão ligada à noite em casa.

Essa situação levanta a questão da coerência educativa entre os diferentes locais de vida da criança. Vários atores do setor defendem um fortalecimento do apoio aos pais, especialmente por meio das visitas da PMI durante os primeiros meses e das consultas de acompanhamento com o pediatra.

Sonho, alimentação, interações: os fundamentos do bem-estar

Além das telas, o bem-estar da criança pequena repousa sobre três pilares que os profissionais da primeira infância avaliam prioritariamente:

  • O sono: respeitar os ritmos individuais do bebê, inclusive em coletividade, requer espaços de descanso acessíveis a qualquer momento do dia
  • A alimentação: a diversificação alimentar, geralmente iniciada por volta do sexto mês, necessita de uma coordenação entre os pais e a estrutura de acolhimento
  • As interações sociais: o contato com outras crianças e com adultos de referência estáveis contribui para o desenvolvimento afetivo e linguístico

Esses fundamentos não são novos, mas sua consideração nas políticas públicas francesas ganha visibilidade. O projeto de código da infância, atualmente em discussão, poderia, a longo prazo, reunir em um único texto todas as disposições relativas aos direitos e à proteção das crianças na França.

A articulação entre as recomendações científicas, o quadro regulatório e as práticas cotidianas das famílias continua sendo um desafio em aberto. As recentes evoluções mostram uma vontade de alinhamento, mas a tradução concreta desses textos no cotidiano das crianças ainda depende amplamente dos recursos humanos e financeiros mobilizados no campo.

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